Palácio Topkapi, Istambul

O Mar de Mármara se transforma no Chifre de Ouro ao redor da península do Seraglio, onde sobre um promontório que domina a paisagem fica o complexo Topkapi. Ao seu redor, os belos jardins floridos e bem sombreados do Parque Gülhane e, abaixo, já ao nível do mar, os restos da muralha que protegia a cidade no império bizantino. O nome me traz à lembrança a ópera de Mozart – O Rapto do Serralho – desenvolvida a partir de um libreto numa época em que a Turquia setecentista exercia enorme fascínio cultural no velho mundo. Embora já não tanto, ainda mexe com o imaginário coletivo desde a sua estreia em Viena, em Julho de 1782. Mas este orientalismo exótico influiu de tal maneira que mudou a cabeça de escritores, pintores e compositores. A novela na qual baseou-se Wolfgang, conta a história de Konstanze, capturada e levada à Turquia, depois vendida como escrava ao sultão Selim, que mais tarde por ela se apaixonou.

Tem um sabor especial saber que meu compositor clássico predileto inspirou-se aqui, nesse lugar entre os mais destacados da “minha” cidade, Istambul, e saber que o palácio teve grande influência no sentimento romântico do compositor. O mesmo Mozart, antes do “Rapto”, compusera uma opereta inacabada, cuja heroína chama-se Zaïde, nome de uma escrava cristã do harém do sultão Solimão, de onde foge com o seu amante Gomatz, com a cumplicidade de Allazim, para depois serem capturados por Osmin, chefe da guarda do sultão, personagem que aparecerá mais tarde no “Rapto”.

No mesmo cenário romântico representado na magnifica ópera, assim como na opereta não concluída, ocorreu uma outra paixão, contudo real e histórica, entre Roxelana e o sultão Suleiman. Hürrem foi o nome recebido por Alexandra Anastasia Lisóvska quando foi capturada. Nascida onde hoje é a Ucrânia, filha de um padre da igreja cristã ortodoxa, foi vendida como escrava para o palácio do sultão. Hürrem ficou conhecida como Roxelana, casou-se com o sultão, tal qual Konstanze com Selim, e passou a viver nos aposentos reais, tornando-se figura central na vida política do império e acumulando poder. Deu seis filhos ao sultão. Neste lugar tão carregado de história, fica o Topkapi, Um palácio de extensão prodigiosa, muito irregular, jardins como uma grande bússola cheia de ciprestes altos, prédios de pedra branca encimados por torres e espirais douradas que parecem magníficos. De fato, acredito não haver palácio de um rei cristão tão grande quanto este, segundo o descreveu Lady Mary Wortley Montagu, aristocrata, escritora, poeta e feminista inglesa, em suas“Cartas da Turquia”, sobre o Oriente Muçulmano. Extravagante já era nos tempos otomanos, contudo, sem qualquer relação arquitetônica e estilística com os palácios europeus.

Constantinopla. Se nos lembrarmos de que a divisão histórica entre a Idade Média e a Idade Moderna foi marcada pelo avanço do Império Otomano com a conquista da capital do antigo Império Romano do Oriente, a visita ao Topkapi toma nova dimensão. Para nós, brasileiros, ainda mais, porque o Brasil ainda sequer havia sido descoberto quando o sultão Mehmet II fez sua entrada triunfal na cidade, no final da tarde do dia em que o capturou, uma terça-feira, 29 de maio de 1453, passando pelo Portão de Adrianópolis, agora conhecido como Edirne Kapi, sendo então aclamado por suas tropas de oitenta mil homens. A partir dali, Mehmet II passou a ser chamado de Fatih, ou Conquistador, nome do bairro mais repleto de monumentos otomanos da cidade e de boa parte de sua herança cultural.

Durante séculos o mundo ocidental fascinou-se por seu exotismo, pelas maravilhas e mistérios do Império Otomano, por seus sultões que governaram os vastos domínios do império desde aqui, o Palácio de Topkapi. Mehmed II começou a construí-lo no local de uma antiga acrópole bizantina, em 1459, após a conquista. A dinastia otomana floresceu – governando a Turquia moderna, os Bálcãs e a maior parte do norte da África e Oriente Médio. A “culpa” do nome do palácio é do famoso punhal com uma esmeralda cercada de diamantes, encravada no cabo, cujo tamanho é descomunal, mas a lapidação, decepcionante. O que fariam hoje, com uma pedra daquele quilate, os lapidadores com suas técnicas e ferramentas modernas? Por ali, uma miríade de tesouros que inclui espadas, adagas, roupas reais, tapetes, tecidos, cerâmicas, manuscritos, joias, armaduras, pinturas e outros tantos de arte finamente trabalhada, além do trono de Suleyman, o Magnífico, e mais cerca de 200 outros itens que mostram o significado, a arte, o poder e a importância do palácio e do Império Otomano.

Conhecido como o “Novo Palácio” até o século 19, não é um exemplo tradicional palaciano de estilo europeu, mas um complexo de prédios, pavilhões baixos, quiosques e pátios, além do harém. Uma cidadela que, assim que se cruza seu portão de acesso, um mundo exótico de história de sultões, odaliscas e eunucos se abre, um manancial de paisagens para fotógrafos e observadores se revela, inspirações para criadores de contos se instalam nas mentes brilhantes ou não. Mesmo com a multidão de turistas, viaja-se no tempo, tanto melhor e mais rapidamente quanto maior a abstração do olhador. Só não é possível sentir os odores do passado, mas lembrarmos deles, perfumes e fragrâncias que ali eram usados, porque para o islã, o perfume tem grande importância e na sociedade otomana não era exceção, tanto que no museu do palácio expõe-se uma coleção de queimadores de incenso. De resto, todos os sentidos vão-se estimulando à medida que se caminha por ali.

Há três portas: Imperial, da Saudação e da Felicidade. Entramos pela Bâb-ı Humayun[1], ou Porta Imperial, entrada principal do lado da Hagia Sophia quando se faz a caminhada por trás do templo, desde o Hipódromo, pela Soğukçeşme Sokağı, a Rua da Fonte Fria. Saindo dela, chega-se ao largo onde domina a Fonte de Ahmet III,arquitetonicamente uma estrutura em estilo rococó turco, de 1728 – quando caracterizavam-se pela predominância de linhas circulares, ondulantes e curvas – no estilo do período tulipa, assim chamado ao emprego profuso da flor nacional nas ornamentações.

Depois de caminhar pelo primeiro pátio, chega-se ao Portão Ortakapi, ou Portão das Saudações, ou, ainda, Bab-üs Selam, de arquitetura militar, com duas grandes torres defensivas octogonais que também serviam de prisão, além de ameias e seteiras, que liga ao segundo pátio – Divan Meydani – também bastante arborizado com árvores centenárias. Construído pelo Sultão Süleiman, o Magnífico, em 1524, também é ornamentado com sua tugra[2] e uma placa com caligrafia árabe, cuja inscrição diz “Só existe um Deus e seu Profeta é Maomé”.

Topkapi é um grande complexo em duas partes, uma cidade dentro de outra: a primeira, o Enderun, lugar onde viviam o sultão e a nobreza; a outra, o Birun, onde residiam os empregados. Situado entre parques e jardins agradáveis, sombreados e bem cuidados, construído quando Constantinopla tornou-se otomana e o sultão Mehmed II, ou Maomé II, passou a chamá-la Istambul e ali instalou seu exército. Logo começaram as construções de monumentos na cidade, como o Grande Bazar e o Palácio Topkapi – no qual vários sultões otomanos viveram entre os séculos 15 e 19 – além da primeira mesquita imperial de otomana, a Mesquita de Fatih.

Logo à esquerda, já cruzado o portão, há um bonito alpendre oriental com lojas de lembranças turísticas de Istambul e do palácio. A seguir, a Cozinha do Palácio, minha parte preferida do complexo, à direita do segundo pátio. A falta de interesse pela cozinha monumental, todavia, faz boa parte dos visitantes que pouco ou nada perderam, embora os 20 fornos e tudo mais sejam um ponto a não perdes, maravilha arquitetônica com respeitável coleção de cerâmicas de Iznik, da Pérsica, da China e do Japão, a terceira maior do mundo, com cerca de 12 mil peças, entre elas algumas chinesas da época da Rota da Seda.

No espaço a ficava a despensa, trabalhavam 1200 pessoas, dormiam os empregados, frequentavam uma mesquita exclusiva e tinham seus próprios banhos. Segundo a história, eram preparadas cerca de 20 mil refeições por dia. Até uma confeitaria exclusiva, a helvahane, onde hoje guardam-se e expõem-se os utensílios usados na época, onde seus especialistas aprimoravam todos os dias as receitas novas e antigas para torná-las perfeitas para a corte e os janízaros, a elite do exército dos sultões otomanos, força, criada pelo sultão Murade I, constituída por crianças cristãs capturadas em batalha e levadas como escravas para serem convertidas ao Islã. Deve-se ao esplendor do palácio e sem harém o pouco caso que se dá à cozinha. Por certo ali, naquela cozinha, desenvolveram-se grandes receitas da comida otomana, embora hoje, na cidade, moderninhos restaurantes “gourmet” exagerem nas receitas influências estrangeiras, notadamente indianas, mexicanas, chinesas, tailandesas e mediterrâneas, em fusões preparadas e inventadas em restaurantes trendy ou, segundo tradução literal, famosinhos, nos quais não se servem sequer um simples Börek. Mas há dos chefs que mantiveram-se longe da sedução da nova cozinha e da fama, que embora perfeitos, dizem os espertos, não têm pretensões glamurosas. Mas deixemos por aqui as considerações gastronômicas, porque estamos a falar de Topkapi, não da comida turca, que mereceria o maior e mais saboroso capítulo desta série.

Muros, pátios, jardins, pavilhões, banhos turcos, harém, tesouros, cozinha e alojamentos militares, abrigavam escravos, opulência, intrigas, traições, comemorações de vitórias, banquetes extravagantes e o harém, cujos cômodos têm tetos e paredes ornados por belos azulejos de Iznik. E ali, o Pátio dos Eunucos Negros. Entre os lugares a não se deixar de ver, estão o Quiosque do Sultão Ahmet, o Pátio das Concubinas,o dos Consortes do Sultão,a Câmara Privada de Murat III e o Apartamento do príncipe herdeiro,os Pavilhões Gêmeos, o Salão Imperial, a Sala de Jantar de Ahmet III, a Biblioteca de Ahmet III, o Pavilhão Iftariye, o Pavilhão Bagdá, o Trono de Nadir Shah, o Salão de Audiências, a Fonte Ahmet III, a Igreja de Hagia lrene, o Pavilhão da Circuncisão, o Jardim das Tulipas, o Divan-I Hümayun e o Tesouro – onde se guardam as joias – especialmente a famosa adaga Topkapi, cravejada com pedras preciosas e um gigantesco diamante de 86 quilates, o Diamante Kaşıkçı, roupas reais e relíquias como fios da barba do profeta Maomé, entre outros.  

O harém mais famoso do mundo

Harém, segundo dicionários, significa o conjunto de aposentos pecaminosos independentes, no palácio de um sultão muçulmano, destinado à habitação de um grupo de mulheres constituído por concubinas, parentes femininas, criadas e, eventualmente, esposas. Naquela época, as mulheres do harém eram “importadas” dos cantos mais remotos do planeta, algumas capturados por piratas turcos, um flagelo dos mares Egeu, Jônico e Adriático. O lugar era bem protegido, sagrado e proibido aos homens, exceto filhos das concubinas e ao sultão. Os que se permitem ali para trabalharem são castrados, tornam-se eunucos. É, talvez, o maior exemplo de dominação masculina revestido de orientalismo que tanto alimentou o imaginário coletivo ocidental, impulsionando fantasias de mulheres luxuriantes, odaliscas sensuais em roupas de sedas transparentes, da luxúria de moças banhando-se nuas em piscinas coletivas enquanto outras dançavam à espera do chamado do sultão. Junto com elas, como chefe do harém – ou valide – vivia ninguém menos que a sogra, mãe do marido coletivo. Segundo o Corão, cada homem pode ter até quatro mulheres, mas as elites tinham número bem maior.

Na mentalidade no serralho, compartilhar a cama do sultão era visto como grande honra e privilégio, por isso, o harém era um lugar de ciúme, tramas e conspirações. Havia hierarquia entre as mulheres no harém. A coisa era organizada. Primeiro, a valide, logo baixo as kadin – quatro esposas dispostas por ordem de preferência -, abaixo destas ficavam doze ikbals, ou favoritas e, por fim, as gozde, que formavam uma espécie de fila de candidatas a ikbals. Por fim, concubinas sem posto e odaliscas, literalmente escravas, serventes do harém. Não é difícil imaginar conspirações, golpes e envenenamentos, pois qualquer mulher escrava sabia que poderia se tornar poderosa se desse à luz um príncipe herdeiro, portanto, não bastava ser bonita e satisfazer sexualmente ao sultão, mas também ser inteligente e ter dom político. Pode-se, então, resumir que um harém era uma prisão familiar. Todavia, foram esses poderes, conspirações e tramas que alimentaram a decadência do império otomano.

Paga-se ingresso extra para visitar os aposentos e pátios do harém, onde moravam mulheres estrangeiras, pois o Islã proibia a escravização de muçulmanas, muitas das quais chegavam ali ainda meninas, compradas ou recebidas como presentes. Ensinavam-se aspectos da cultura islâmica, o idioma turco, alguns costumes, comportamento, vestuário, dança e música. As que se destacavam serviam mais próximas ao sultão. Além de centenas de mulheres, também residiam seus filhos, até os 16 anos de idade, e todos recebiam a melhor educação, sendo que alguns trabalhavam para ajuda nas finanças do palácio.

Os mosaicos do Palácio Topkapi

Toda a cidade de Istambul tem patrimônios otomanos decorados com lindos azulejos de Iznik, E por toda a cidade encontram-se réplicas baratas de azulejos que há séculos revestem-nos. O intrincado processo de produção dos azulejos originais, bem mais complexo do que o artesanato barato disponível como suvenir, represenra uma rica herança cultural. A qualidade e a tradição, para além da beleza, fizeram de Iznik, onde a arte floresceu durante o domínio dos otomanos, famosa no mundo, quando no final do século XV, artesãos locais substituíram o tradicional barro por quartzo na confecção das cerâmicas, uma técnica inovadora que proporcionava uma base branca brilhante que destacava as quatro cores tradicionais encontradas nas peças de Iznik: turquesa, cobalto, malaquita e coral, cobertas por uma espessa camada de esmalte transparente. Os sultões otomanos gostaram do novo visual e logo o requintado çini passou a ser usado como adorno em revestimentos de espaços públicos e importantes edifícios em Istambul, incluindo a residência principal do império, o Palácio Topkapi, para além de mesquitas, madraças e túmulos. A cerâmica de Iznik desperto também o interesse dos mercadores genoveses e venezianos, e a arte durou cerca de cem anos. Com o declínio do Império Otomano, perdeu sua proteção e praticamente desapareceu no final do século XVII. Hoje, as peças originais de Iznik estão em leilões de arte e museus em todo o mundo, incluindo o Louvre e o Smithsonian.

A pequena cidade de Iznik, às margens do Lago Iznik, fica a razoável distância de balsa e de minibus de Istambul, uma boa escapada de um dia para quem tem tempo de visitá-la, onde iniciativas particulares fazem renascer a arte tradicional e ressuscitar o processo de fabricação de cerâmica, como a Fundação Iznik, localizada fora das muralhas romanas que ainda circundam parcialmente a cidade, onde o visitante pode ter um vislumbre de como é feita a cerâmica. Em Sultanahmet, além de no Kapalıçarşı (Grande Bazar), há uma loja da Iznik Classics, na Utangaç Sk. No:13 Cankurtaran Mh., 34122 Fatih, com peças genuínas confeccionadas em cerâmica.

Çini (pronuncia-se “tchi-ni”) é a palavra turca para nomear “mosaico turco”. Feitos de azulejos cerâmicos decorados com motivos florais, remontam ao século X e tornaram-se populares. Os mosaicos do palácio Topkapi estão entre os melhores exemplos desta arte decorativa, onde encontram-se centenas de metros quadrados de paredes recobertas por eles. Mas há três destaques nos quais vale concentrar atenção.

No Divan-I Hümayun, por exemplo, ou pavilhão do Conselho Imperial, construído em 1529 durante o reinado de Süleyman I (Süleyman, o Magnífico), um dos lugares mais importantes do palácio, porque era o gabinete do Império Otomano e ali eram tomadas as decisões políticas do império, há mosaicos de Iznik do século XVI, com motivos florais em azul, vermelho e verde sobre fundo branco, usando uma técnica denominada underglaze, onde a decoração era aplicada à superfície cerâmica antes de ser esmaltada, razão porque torna-se mais durável.

Já os da Câmara de Petições, ou Arz Odasi, construída durante o reinado de Mehmet II (Mehmet, o Conquistador), em 1460, um compartimento privado do sultão, onde por mais de quatro séculos os sultões otomanos receberam embaixadores estrangeiros e funcionários do Estado no salão, especialmente no rodapé da porta de entrada, há dois ladrilhos quadrados no estilo hatayi em fundo azul-marinho com figuras florais de bordas grossas. Suas cores também são únicas, já que a de fundo, azul-marinho e verde, são dominantes nesses dois quadrados. Em ambos os lados da porta há longos painéis de mosaicos sobre fundo azul com desenhos em estilo Rumi, painéis com bordas com fundo verde e figuras florais muito ricas. São únicos.No Harém, há um salão onde funcionava o Tribunal dos Eunucos Negros, ou  Kara Ağalar Taşlığı, com várias salas e espaços públicos, um pátio, dormitório e mesquita, lugares decorados com mosaicos de Iznik do século XVII, com técnica de submersão, com motivos de flores como tulipas, cravos e caligrafia de rumi, além de folhas de cipreste.

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A Cisterna de Yerebatan


[1] Humayun foi Pai de Akbar, o Grande, homem do clã de Babur e bisneto de Tamerlão, o fundador de Samarkanda, Uzbequistão, que estabeleceu o Império Mogol. Construído pelo Sultão Mehmed II, o Conquistador, este portão tem uma inscrição em árabe que diz “Com a graça e o assentimento de Deus, com o objetivo de estabelecer a paz e a tranquilidade”, além de versículos do Alcorão, cuja beleza do trabalho artístico da caligrafia merece atenção, assim como as tugras,o selo, a assinatura do sultão, usado na autenticação de documentos oficiais e no cunho de moedas, bem como nas entradas de palácios e monumentos.

[2] O símbolo mais notável da autoridade do sultão otomano era sua tuğra imperial (cifra), afixada em todos os documentos oficiais.