De volta à Índia – Na Velha Delhi, o Mercado Gadodia, um cortiço muito além das especiarias

                Olfato e odores. Uma experiência nasal no Gadodia Market

            Na Antiguidade, filósofos importantes não se preocupavam muito com o sentido que nos permite distinguir cheiros. Demócrito talvez tenha sido o primeiro a dedicar-se ao olfato, concluindo uma forte conexão entre nossa mente e os aromas, estabelecendo o que ele denominou “pensamento nasal”.  Já Heráclito, mais tarde, disse que “se todas as coisas se tornassem fumaça, nós as conheceríamos pelas narinas”.

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                 Pois bem, no mercado Khari Baoli, e mais depois no Gadodia Market, a sensação pode se confirmar em qualquer indivíduo não familiarizado com o lugar. O formigamento das narinas – sensação que não raro pode chegar ao cérebro, como sugeriu o filósofo, depois que nossos receptores olfativos tenham-se inflamado –  será o clímax da experiência.

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               Descemos do tuk tuk na Chandni Chowk, onde ela termina defronte à mesquita Fathepuri. Acreditávamos, até então, que tínhamos vindo do “olho do furacão”, mas logo percebemos que fora apenas uma introdução ao caos. Caminhamos pela rua Khari Baoli, viramos à esquerda na rua Swami Vivekanand, com o burburinho de sempre acentuando-se a cada metro, tornando-se, ao mesmo tempo, tão mais invasivo quanto atraente.

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                O ar converte-se numa fusão farta de cheiros misteriosos, exóticos , ora incômodos, ora estimulantes. Sinto cheiro de pimenta, de cardamomo, cominho, orégano, caril, açafrão-das-índias e massalas. Consigo-os identificar melhor porque estão expostos. Adiante, misturam-se a outros, e parecem dizer-me que não há condimento que não se possa encontrar por ali. Satura-se tanto que perdemos o comando dos sentidos, sequestra-nos o controle com “toques” violentos no olfato,  de tal modo, e com tamanha potência, que penetram pelo nariz e vão ao cérebro, findam ali a interferência nos pensamentos, como se drogas fossem.  Não chega a ser maior que atravessar a rua numa cidade grande, mas a “viagem” pode ser um desafio. Só persistência com paciência, podem amenizar. Paciência, aliás, é uma virtude a ser praticada em toda a Índia.

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                 Um incessante circular de gente, de mercadorias a granel em sacos de juta, de homens empurrando carrinhos de mão, num sistema antigo de distribuição e comércio que remonta à época do Xá Jahan, levado a cabo por “trabalhadores das especiarias”, como são conhecidos os imigrantes ou nacionais que ali laboram.

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              As velhas escadas escondidas do Gadodia Market levam ao terraço do edifício, um cortiço onde quase ninguém vai, exceto seus moradores, muito raramente, turistas. Os raros, todavia, não vão em busca de uma vista panorâmica de Velha Delhi, tampouco da mesquita vizinha, embora uma vez lá, a perspectiva não seja tão ruim. Avistam-se o pátio tranquilo da Fathepuri masjid, seus dois minaretes e o domo “acebolado”. É o lado que acalma os efeitos da infusão de especiarias, dos intensos ruídos urbanos da rua defronte, mas  não é o que vale quanto pesa a subida. Importa o vislumbre de uma vida comunal curiosa, de trabalhadores em seus momentos de descanso no maior centro de armazenamento e comércio atacadista de especiarias da Ásia, o Khari Baoli [1], cujo nome é referência ao poço de água antigo que ali existia, mas que há muito desapareceu.

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              É uma vida paralela, que embora integrada à do mercado, tem no cortiço e em seus moradores, em seu caráter desorganizado, sua simplicidade, na precariedade e na pobreza, sua mais evidente personalidade, o que ajuda a manter a cultura do lugar quase inalterada da original, emoldurada pelo que se pode ver – os varais de roupa estendidas aos terraços, os cães e bicicletas, os colchões tomando sol, caixas d’água e paredes sujas – o que está fora do alcance da visão -, e também pelo que se esconde nas moradias escuras, de janelas e portas únicas, de gente com hábitos diferentes, como quase de outro mundo.

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               Não é exatamente um “passeio no parque” chegar até aquele terraço. É um pouco difícil andar, mas faz parte da experiência a “caminhada aromática”. Provavelmente seria um delírio para um chef de cozinha, contudo um incômodo para as narinas mais sensíveis ou não familiarizadas. O visitante não se expõe apenas aos odores, mas a uma deliciosa experiência de multisensorialidade: desvia de cocô, de lixo e de água empoçada, de outras de líquidos não identificados, de mulheres vendendo flores, esbarra em homens carregando sacos de juta às costas, levantando poeira quando jogados no chão ou sobre carros de mão, desvia de gente e de enormes balanças à moda antiga.

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                 É gente da Caxemira, de Madhya Pradesh, do Rajastão, da própria Delhi e de outros estados. São vendedores, compradores, carregadores. Percebem-se uns tentando grandes barganhas, outros procurando escapar delas. E todos extremamente ativos e concentrados em suas tarefas e negócios, provável motivo porque foi o único lugar na Índia onde sequer fomos percebidos, o que, para um ocidental em viagem ao país, é uma raridade constrangedora. Nada parece nos escapar naquela “caminhada sensorial”.

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            Chegamos ao arco que leva às escadas desgastadas para o topo do edifício Gadodia. A simples “travessia” do corredor escuro, assim como a subida, foram uma experiência fascinante. Vimos lojas e escritórios com habitações nos andares acima, partido e conceito projetados com certa inovação, algo que um estudioso poderia definir como evolução dos antigos carevanserais, os antigos armazéns da Rota da Seda, que serviam para compra, venda e estocagem de grandes quantidades, como depósito de mercadoria e moradia temporária de caravaneiros. Contudo, olhando as condições do Gadodia, nos custa crer quem alguém possa morar com dignidade e salubridade. No topo de tudo, um terraço, nosso ponto focal, alvo, objetivo.

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             Já ali, primeiro estranha-se, depois entranha-se [2] das normas de convívio social, dos detalhes, do trabalho, do descanso, lazer, enfim, da vida que levam. Por vezes até a morte, porque há pessoas que passam sua existência inteira no mercado, algumas em pequenas alcovas mal iluminadas, versões tão diferentes de vida e das regras com as quais convivemos, que parecem de outro mundo. Quanto mais nos aprofundarmos nessas camadas, melhor as percebemos. Contudo, há as que não conseguimos ver, pois há uma herança cultural oculta, “enterrada” nas alvenarias, tão profunda que é preciso algum local para nos  explicar. O guia nos salva nesta hora.

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              O prédio, construído em 1920 por seu proprietário – L.L. Gadodia, um indiano que emigrou para os Estados Unidos há seis décadas – embora pareça europeu, inspirado no estilo de Lutyens de Nova Delhi, a ornamentação com chatris lhe dá a inconfundível personalidade hindu.

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             Apesar do atual estado de declínio, o Gadodia mantém-se como sempre: um espaço de habitação e de escritórios tal como foi projetado. Subimos os três lances de escada do cortiço e chegamos ao topo, um terraço com vistas para o quadrilátero formado pelo prédio. Foi uma viagem no tempo. E ainda que recentemente o mercado tenha encontrado um novo público, o turista, especialmente entusiastas do patrimônio, da arquitetura, da fotografia, ou mesmo da prática do voyeurismo da vida alheia, lá em cima, além de nós, havia apenas um indiano grudado no celular e dois macacos. A trilha sonora já não era mais a cacofonia de Chandni Chowk, tampouco ouviam-se as vozes dos comerciantes e trabalhadores, senão um silêncio retumbante. Descemos e voltamos à rua.

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             Passamos pela Mehar Chand and Sons, loja onde trabalha um master blender famoso, chamado A. Kumar, conhecido de chefs do mundo todo – famosos ou não – que experimentam e compram masalas como o Aloo Gobi, Butter Chicken e o Dal Makhani, entre outros. No fundo da loja, as aventuras culinárias indianas terminam em incríveis chás, do Darjeeling e Earl Grey ao Black Tea e ao Mango Tea.

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             Tomando um ligeiro desvio, perdido no caos de Chandni Chowk, fomos até o Haveli de Mirza Ghalib, um tesouro de 300 anos meio esquecido, e depois no simpático, atraente Haveli Dharampura, um hotel pousada no meio do olho do furacão, a seguir, no próximo capítulo.

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[1] Amêndoas (Badam), Castanha de Caju (Kajoo), Cocos (Nariyal), Noz-moscada Integral (Jaifer), Ervilha (Moong-phali), Pistácio (Pista), Nozes (Akhrot), Noz de Beterraba (Supari), Passas (Kishmish), Figos Secos (Anjeer), Pó de Chilli Suave (Bookanee Lal Mirch) e Pimentões Finamente Picados (Mota Lal Mirch), de cor vermelho intenso, Coentro moído (Dhania Powder), Manga Seca Moída (Aamchur), Gengibre (Adrak),  Anis (Sauf), Cardamomo (Elaichi), Canela (Dalchini), Açafrão (Kesar), Pimenta Preta (Kali Mirch).

[2] Fernando Pessoa, um dos nomes maiores da poesia portuguesa, foi abordado, em 1927, pela empresa Coca-Cola, para criar um slogan publicitário. Ele escreveu: “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”.

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Haveli Dharampura

De volta à Índia. O Túmulo de Humayun. Para o marido, com amor

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               O estilo mogol, na arte e na arquitetura, não tem autor em particular ou grupo de artistas criadores, resulta de uma consciente atuação de alguns imperadores – desde Babur, o fundador do império mogol – até Humayun, Akbar, Jahangir, Sha Jahan, Dara Shikoh e Aurangzeb, que compartilhavam grande interesse pelas artes, além de líderes de um império que cobriu grande parte da Índia em seu auge. Eram homens cruéis, guerreiros conquistadores e senhores das guerras, é verdade. Comandavam bravamente invasões e o domínio de povos mas, ao mesmo tempo, apreciadores das artes, da ciência, astronomia, filosofia, literatura e religião.

                      A dinastia muçulmana – de origem mongol-turca – que governou a maior parte do norte da Índia desde o início do século XVI até meados do século XVIII, foi notável pela habilidade de seus governantes, que através de sete gerações demonstraram talentos incomuns, da organização administrativa ao comando, sendo a mais estranha aos dominadores, a dedicação, ainda que muçulmanos, de integrarem-se com os hindus para formarem estado indiano unido.

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                      Incentivando e promovendo diversas expressões artísticas, não apenas na arquitetura e na ornamentação, também na pintura e literatura, todavia principalmente naquelas, por 250 anos financiaram gerações de arquitetos, artesãos, calígrafos, artistas, pintores, escultores, metalúrgicos, tecelões, o que resultou num estilo esteticamente sutil, delicado e elegante, ainda que robusto e grandioso, às vezes monumental, massivo o bastante para expressar poder e glória. Era a grandiosidade artística como instrumento de demonstração de poder.

                       Sempre que possível, respeitavam os padrões islâmicos cujas bases estavam na Pérsia, mas inspiradas e consumadas por Tamerlão durante o império mogol de Samarkanda, Uzbequistão, de tal maneira que as primeiras construções mogóis na Índia sejam interpretadas estilisticamente como meras recriações do estilo timúrida de Tamerlão, embora da arte persa, da corte safávida de Isfahan, tenha-se originado, contudo, mais tarde, tendo adquirido na Índia sua personalidade e desenhos muito próprios. Talvez por isso os persas desprezassem as cortes islâmicas da Índia, que definiam os mogóis como gente de um senso estético que não lhes agradava, tendo sua arte sido influenciada demais pela hindu, se “arredondado” demais e tornado menos brilhante e colorida que a expressa nos mosaicos cerâmicos persas e timúridas.

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                 Carecia, diziam aqueles, de classicismo, de contenção, estavam longe da perfeição geométrica da safávida, ainda que inconfundível, de notável individualidade e de um bom gosto irretocável aos olhos do resto do mundo. Mesmo um não conhecedor, depois de uns dias na Índia, dificilmente deixará de reconhecer que aquele monumento ou trabalho pertence ao período mogol, sejam os expressos nas fachadas e ornamentações internas, sejam os demonstrados em minuciosas pinturas de cenas do império e nas artes decorativas, tal sua distintiva personalidade.

                 Uma obra prima arquitetônica que quase consagra toda a perfeição e beleza do estilo mogol, o imenso mausoléu de Humayun, ainda que este seja apenas um dos exemplos da fabulosa arte voltada à arquitetura, mesmo em Delhi, onde, por exemplo, a mesquita Qila-I-Kuhna, dentro da cidadela de Purana Qila – ou Old Fort, chega à perfeição. Este túmulo, declarado Patrimônio Mundial pela UNESCO, em 1993, foi obra desenhada por arquitetos de Bukhara, no Uzbequistão, a pátria timúrida, dinastia da qual os mogóis são extensão. É comum apelidarem o túmulo de Humayun como “Taj Mahal de Delhi”, embora haja enormes diferênças entre ambas, todavia, a magnífica necrópole – em cujo silêncio sereno de suas pedras cor-de-rosa Humayun repousa em paz – também pode ser uma prova de amor.

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                  O quinto imperador mogol – Shah Jahan – talvez seja o personagem mais romântico da Índia, pois construiu o Taj Mahal, o mais espetacular túmulo do planeta, monumento em memória de sua esposa, Mumtaz Mahal,. Merece o título, não há dúvidas, mas poucos sabem que sua inspiração veio de sua bisavó, Hamida Banu Begum, esposa do segundo imperador mogol, Humayun que, dizem, construiu a Tumba de Humayun, o primeiro do subcontinente indiano cercado por um jardim – o Char Bagh –  que também impressiona pela megalomania, pela demonstração de poder e pelo que deve ter sido a vultosa soma de dinheiro empregada ali, onde não se encontra ângulo imperfeito ou canto que não impressione.

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A seguir:

Capítulo 5 – O Complexo Arqueológico Mehrauli

De volta à Índia – A primeira manhã. Duas Delhis, dois mundos

          O clima age a nosso favor, com um quase frio nos fazendo imaginar o quanto deve ser difícil Delhi acima dos 40 graus. Sob um céu azul, mesmo sendo cinza, começamos o dia na vasta expansão urbana da capital, onde duas “cidades” me atraem: a “nova” – de arquitetura colonial modernista, com amplas avenidas e vistas grandiosas, arborizada por tamarindeiros, rodeada por mansões coloniais e prédios do governo em estilo inglês…

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A Nova Delhi, ou Lutyens Delhi

… – e a velha, de essência mogol, carregada de “indianidades”, a antiga Shajahanabad, a que o economista John Kenneth Galbraith, embaixador americano na Índia, nos anos 1960 chamou de “anarquia funcional”. Ali fica Chandni Chowk, nome da principal avenida de comércio da capital do império mogol, o olho do furacão, hoje quase um bairro dentro de outro. A anarquia permanece, assim como a pressão das pessoas, as vielas e os becos com ou sem saída, a fumaça, os cheiros, os mitos e as lendas, as verdades e a história entre uma cacofonia inconfundível e uma multidão imparável.

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Detalhe da intrincada, belíssima ornamentação do Minarete Qutub

          Para além de ambas, junto à Nova Delhi ficam fenomenais ruínas do século XII, de cidadelas construídas pelos primeiros governantes islâmicos, num parque chamado Mehrauli, entre cujas diversas construções antigas – de mausoléus a mesquitas, de baolis a templos hindus – fica o Complexo Qutub. Ali, o ícone do parque é o Qutub Minar – o minarete de tijolos mais alto do mundo – um fenomenal exemplo de arquitetura indo-islâmica que faz jus integrar o Patrimônio Mundial da Unesco, eterno, ícone do poder mogol, projetado nas linhas do Minarete de Jam, no Afeganistão. São 72,5 metros de altura sobre uma base sólida, belíssima, massiva, com 14,3 metros de diâmetro.

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Complexo Qutub

          Histórias sugerem que Qutub Minar teria sido construído num local em que havia um conjunto de 27 templos hindus e jainistas, parcialmente destruídos pelos invasores muçulmanos, mantidas algumas preciosidades e usadas suas pedras em mesquitas e outros lugares. Mas não é só este impressionante monumento que capta a atenção de quem está ali. Outras antiguidades também, como a Mesquita Quwwat-ul-Islam, o Alai Darwaza, o Alai Minar, a Madrasa e Tumba de Ala-ud-din, o Pilar de Ferro – com sete metros de altura, do séc. IV, erguido em homenagem ao deus hindu Vishnu, o vestígio metálico melhor preservado da história da humanidade – a Tumba do Imam Zamin.

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Túmulo de Isa Khan Niyazi

          Chegamos até lá pelas ruas largas do bairro novo e, na área em que se fundem a nova e a antiga Delhi, paramos no Baoli do Marajá Agrasen ki – ou Ugrasen ki Baoli – um reservatório de água que servia à população para a coleta de água e lazer. Em Delhi e no Rajastão há outros poços semelhantes, belos e antigos, sendo este o mais conhecido e próximo.

Baoli do Marajá Agrasen ki

          Apesar da presença do rio Yamuna, Delhi sempre teve deficiência de água devido aos longos períodos de estiagem. A população medieval recorria, então, a esses poços, além de represas e lagos artificiais que havia para reter a água de chuva durante o período das monções. De todas as estruturas de conservação de água construídas desde então, as mais esteticamente interessantes e incomuns foram os baolis, que ainda hoje consideram-se uma fusão brilhante de sensibilidades arquitetônica e artística, concebida como uma enorme evolução dos poços subterrâneos, pois eram abertos e equipados com escadarias que desciam até o nível da água, tinham uma face equipada com câmaras e passagens destinadas ao lazer num ambiente mais fresco, com câmaras e “passeios” que se interligavam, alguns até com pranchas para mergulhos. Um misto de reservatório de água potável e piscina.

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Baoli do Marajá Agrasen ki

Sunder Nursery

         Pouco depois de sairmos do baoli, Niraj pede ao motorista que pare num local que não estava no roteiro. E nos diz com orgulho que nos mostrará uma atração muito nova em Delhi, o Sunder Nursery (Viveiro Sunder). Ao descermos da van avisto duas placas anunciando o que disseram as revista Times –  “Um dos grandes lugares para se visitar em Delhi” – e a Outdoor Magazine – “O mais novo sítio turístico da cidade. Abandonado por anos, foi reaberto em março de 2018 depois de minuciosa reforma.

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Sunder Nursery

          Inesperado e surpreendente, o Sunder Nursery é mais que um horto ou parque, senão um complexo de jardins históricos do século XVI, com canteiros de flores coloridas e um jardim de rosas com 30 diferentes variedades, 300 espécies de árvores e 80 de aves permanentes e 90 hectares que serão expandidos até juntar-se ao Purana Qila, quando se tornará o maior parque urbano da Índia.  A vista central tem jardins inspirados nos jardins mogóis, com fontes de pedra e mármore com adornos em forma de lótus. O lugar é de uma beleza natural e arquitetônica especial, porque entre a natureza de um jardim bem cuidado ficam 15 monumentos mogóis, seis deles do século XVI e nomeados Patrimônio Mundial da Unesco.

          Dali fomos ao espetacular Túmulo de Humayun.

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A seguir
O Túmulo de Humayun. Para o marido, com amor
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O Túmulo de Humayun