OVERLAND África do Sul – Capítulo 1: A chegada à Porta de África

De Johanesburgo até Dullstroom

Os primeiros raios de sol apareceram timidamente nas janelas do avião enquanto tomávamos o café da manhã. A chegada iminente a Johanesburgo, nas primeiras oito horas do dia, animou meu coração aventureiro, que batia no ritmo dos tambores e marimbas da música africana. À medida que nos aproximávamos da “Porta de África” – como chamam carinhosamente a capital – também ficávamos mais próximos da promessa de experiências encantadoras em que o programa da viagem se desdobrava. “Um mundo num país”, como os organizadores descreviam. Múltiplo e plural. E eu, sem resistir a nada desse mundo, entregava-me já a tudo o que encontrava.

Então, como em todas as viagens – da preparação à conclusão – o momento era mais do que o de uma simples chegada, senão o auge do começo de uma exploração, de aventuras com tudo para nos deixar marcas como tatuagens. O que, afinal, é de esperar qualquer viajante no início de sua jornada. Mais do que uma esperança, eu sentia convicção. De de que a viagem seria encantadora, diversa, marcante. E que iria além, teria outros resultados, o de uma interação admirável com o destino. Da megalópole civilizada às cidades europeizadas, do sertão selvagem às reservas descomunais ocupadas por uma centena de espécies animais, das montanhas ao litoral, dos oceanos Índico e Atlântico, das focas, baleias, pinguins aos animais das savanas.

O aeroporto nos recebeu calorosamente, ou pelo menos assim eu senti. Entre muitos viajantes de várias nacionalidades recuperando bagagens e passando pela imigração temporária, observei rostos desconhecidos que pareciam refletir os mesmos anseios. Cada um vivendo suas expectativas ou nostalgias, alimentando os sonhos de antes do pouso, com igual espírito da exploração. Vivemos o breve momento em que o importante não era apenas chegar, mas estar lá, viver e sentir o destino. E seria difícil apontar outra sensação tão relevante, embora comum, mas forte, vasta e substanciosa. O prazer da chegada, se me entende. Ali nascia a abertura da narrativa da viagem, e eu não deixaria escapar nenhum detalhe desse momento.

Logo nos encontrávamos no ponto para reunião do grupo – no Aeroporto Oliver Tambo, de Johanesburgo – definido por Robert e Grace, da Overlander.

Os demais participantes, todos com o mesmo entusiasmo, iam chegando e se juntando, se apresentando, até serem quase familiares. Conduzidos ao transporte que nos levaria para bem distante da agitação urbana, nos esperava a cidade de Dullstroom, primeiro refúgio e lugar onde receberíamos nossos carros. O caminho foi por bom asfalto e entre conversas, paisagens e cenários que aos poucos iam revelando o interior do país, colinas verdes ondulando em harmonia com um céu expansivo e azul, tudo sob um clima que não parecia haver melhor.

No caminho para Dullstroom, paramos em Alzu, a 175 quilômetros de Joburgo, num ótimo posto com restaurantes e conveniências.

Em Dullstroom, pequenina cidade aninhada entre as montanhas, fomos recebidos com a hospitalidade tradicional sul-africana pela equipe do The Highlander Hotel, cujas suítes aconchegantes e espaçosas prometiam uma noite de descanso necessário. No quarto, sobre uma mesa, encontramos os kits pessoais e mimos que demonstravam o impecável capricho de Robert e Grace.

A noite caiu trazendo consigo um caloroso senso de comunhão. Foi no jantar, reunidos numa elegante mesa do restaurante do hotel, onde compartilhamos um jantar de boas-vindas oferecido por Grace e Robert, acompanhado de um delicioso vinho sul africano. O riso e a simpatia fluíram como um rio tranquilo, enquanto histórias pessoais se entrelaçavam para formar uma tapeçaria de memórias e a personalidade do grupo naquela aventura.

O aroma dos pratos permeava as narinas. E os risos e conversas se misturavam com as notas suaves das garfadas, dos goles do poderoso pinotage e da trilha encantadora que revelava o bom gosto do casal proprietário do hotel.

Dormimos cedo e confortavelmente, enfrentando mais frio do que o esperado. Com o nascer do novo dia, a expectativa se concentrava no recebimento dos carros e instruções. A energia era palpável. Estávamos prontos e unidos para seguir nosso roteiro.

Robert, Grace e Renato da Overlander, a quem mais tarde chamaríamos de “trio”, demonstraram, desde a recepção no aeroporto à preparação dos veículos, que seríamos conduzidos com dedicação e atenção muito além do que poderíamos supor. Era a deliciosa sensação de um começo de viagem que nos deixaria lembranças eternas.

A seguir:

Segunda etapa:

De Dullstroom ao Kruger Park

7 comentários em “OVERLAND África do Sul – Capítulo 1: A chegada à Porta de África

  1. Sempre cuidadoso ao descrever suas experiências, de tal forma que lá vamos nós, leitores, experimentar novas emoções juntamente com nosso escritor-viajante. Tenho ótimas lembranças da Africa do Sul, e agora, também, vontade retornar pelos caminhos que descreve. Obrigada Arnaldo.

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  2. Olá casal aventureiro! Mais uma bela viagem e cativantes relatos. Ler suas estórias é como se estivesse vivenciando lado a lado com vocês. Belo começo, vamos adiante!

    Abraços

    ROGERIO BRAGA

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