
https://www.incredibleindia.org/content/incredible-india-v2/en/destinations/amritsar.html
Eu quero a sorte de uma vida longa. E se mesmo sete delas eu tivesse, todas gastaria viajando, a coisa mais certa entre todas as coisas certas que faço na vida. E se já conheço o suficiente do mundo para não me impressionar com qualquer coisa, destino ou país, não com a Índia. É por ela que agora escrevo, esse inferno e céu, o reverso do resto do mundo para alguns, um realismo mágico em forma de nação para mim.

E se num dia qualquer penso nela, aborda-me o desejo de revê-la. Tal como o canto da sereia – que seduz (mas a mim não ilude) – ela me chama. Ou, quem sabe (já que tudo é misterioso), em decorrência do primeiro tilak[1] – o sinal de benção que me colocaram na testa. Posso também pensar ter sido pelo pôr do sol que dourava a muralha da fortaleza de Jaisalmer. Ou por tantas outras coisas, porque a Índia é uma “força estranha”, incomum e misteriosa que sente-se em toda ela e por tudo ali.

E nessa batida, na única vida que tenho, iremos de novo. A ver lugares que não conheci e a repetir uns que já visitamos. Por que? Porque não há duas viagens iguais à Índia, senão pormenores em cada, instantes pequenos e grandes que vão tornando a jornada um novo encanto, quase como se fosse inédita. Se neste vasto e atrativo planeta não são escassos os lugares que merecem ser vistos e revistos, poucos me estimulam e surpreendem tanto quanto a Índia.

Wagaa Border https://www.sapiens.org/culture/india-pakistan-partition-border-ceremony/
E se há viagens e destinos que parecem não ter fim dentro de mim, a Índia lidera a lista. Com o prazer e impacto da primeira visita permanecendo notáveis, tem sido assim ao retornar. Nesta minha alta altura da vida, nada me parece fazer tanto sentido quanto deixar-me levar pelo que me revolve o cérebro. Sinto-me afortunado. Duas vezes. Por poder voltar o quanto desejo e por ter alguém ao meu lado que compartilha desse sentimento.

Iremos a Delhi para apenas uma noite e lá visitaremos o templo Akshardham, maior templo hindu do mundo. Seguiremos a Amritsar para conhecer de dia e à noite o Tempo Dourado, e perto de lá, em Wagah Border, assistiremos a cerimônia da troca da guarda na fronteira Índia-Paquistão. Partiremos para Lucknow – capital de Uttar Pradesh – e depois para Jaipur e Udaipur, no Rajastão, de onde voltaremos ao Brasil, via Roma, onde ficaremos dois dias.
Até a volta!
[1] Marca na testa, seja um traço comprido ou um ponto os olhos que sugerem tranquilidade, poder,vigor, riqueza, prosperidade, entre outros, dependendo da cor.

Akshardham Temple, Delhi
Swaminarayan Sanstha – http://www.akshardham.com/photogallery/mandir/index.htm
